{"id":1547,"date":"2012-12-14T17:54:39","date_gmt":"2012-12-14T17:54:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fremplast.com.br.br\/blog\/?p=1547"},"modified":"2019-05-22T21:17:28","modified_gmt":"2019-05-22T21:17:28","slug":"os-tecidos-sinteticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fremplast.com.br\/new-site\/os-tecidos-sinteticos\/","title":{"rendered":"Os tecidos sint\u00e9ticos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.fremplast.com.br\/blog\/2012\/12\/os-tecidos-sinteticos\/tecido-sintetico-fremplast\/\" rel=\"attachment wp-att-1548\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1548\" title=\"tecido sintetico fremplast\" src=\"http:\/\/www.fremplast.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/tecido-sintetico-fremplast.png\" alt=\"\" width=\"479\" height=\"341\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um xarope e espesso, formado por longos fios lustrosos e el\u00e1sticos, como os da seda e celulose, que se solidifica com algo esfriar. Essa era a apar\u00eancia da primeira\u00a0fibra sint\u00e9tica, produzida no in\u00edcio da d\u00e9cada de 30 nos laborat\u00f3rios da\u00a0Du Pont de Nemours, um dos gigantes da ind\u00fastria qu\u00edmica dos Estados Unidos, com sede em Dalaware. A fibra n\u00e3o era grande coisa do ponto de vista comercial, pois logo quebrava e se solidificado as temperaturas mais baixas. Mais foi o ponto de partida para milhares de combina\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que produziram outras tantas amostras de fios at\u00e9 se chegar \u00e0quela de maior aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica: o nylon.<\/p>\n<p>Em 1937, a Du pont selecionou o nylon para a fabrica\u00e7\u00e3o em larga escala. A partir de ent\u00e3o, o fio invis\u00edvel, resistente e dur\u00e1vel e desencadeou uma revolu\u00e7\u00e3o. Das meias \u00e0 lingerie, passando pelas capas, blusas e pijamas, o nylon passou a ser sin\u00f4nimo de\u00a0moda\u00a0feminina. E n\u00e3o s\u00f3 de\u00a0moda. Tornou-se presen\u00e7a obrigat\u00f3ria nas escovas de dente, linha de pesca, p\u00e1ra-quedas, tapetes e suturas cir\u00fargicas.<\/p>\n<p>Os tecidos sint\u00e9ticos s\u00e3o descendentes diretos do\u00a0pl\u00e1stico, subst\u00e2ncia descoberta em 1875 pelo qu\u00edmico alem\u00e3o Adolf Von Bayer (1835-1917), que podia ser moldada quando aquecida, mais ao esfriar tornava-se dura. Este primeiro\u00a0pl\u00e1stico\u00a0era quebradi\u00e7o e dif\u00edcil de ser trabalhado. Mas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando os qu\u00edmicos determinaram a estrutura molecular de cada\u00a0pl\u00e1stico, estes passar\u00e3o a ser sintetizados segundo as especifica\u00e7\u00f5es das ind\u00fastrias.&#8221;<\/p>\n<p>Descobriu-se que eram constitu\u00eddos por mol\u00e9culas gigantes ou pol\u00edmeros (do grego polys \u2013 muitos, e meros &#8211; part\u00edculas), que no est\u00e1gio final de sua forma\u00e7\u00e3o em se pareciam a longas cadeias de pequenas mol\u00e9culas, como se fossem colares de clipes. Dois l\u00edderes da ind\u00fastria qu\u00edmica &#8211; na Europa e nos Estados Unidos &#8211; apostaram na pesquisa dos pol\u00edmeros. Em 1927,a I.G. Farben, na Alemanha, contratou um grupo de 27 cientistas que aprenderam tanto sobre a estrutura das mol\u00e9culas que se deram ao luxo de planejar cada passo do processo de descoberta de novos pl\u00e1sticos, como o\u00a0poliestireno. Um ano depois, a\u00a0Du Pont de Nemours\u00a0contratou como chefe de seu\u00a0laborat\u00f3rio\u00a0Wallace Hume Carothers, um jovem professor de Qu\u00edmica Org\u00e2nica da universidade Harvard.<\/p>\n<p>Carothers, na \u00e9poca com 32 anos, era conhecido nos meios cient\u00edficos americanos por suas investiga\u00e7\u00f5es sobre as liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas das mol\u00e9culas org\u00e2nicas. E foi com base em seus conhecimentos que ele percebeu que aqueles fios de xarope produzidos em 1933 no\u00a0laborat\u00f3rio\u00a0por um de seus colaboradores, Julian Hill, eram, na verdade, as mol\u00e9culas esticadas de pol\u00edmeros, que formavam longo fios paralelos semelhantes a fibras naturais, como a da seda e a celulose. Embora a fibra n\u00e3o tivesse tido\u00a0sucesso\u00a0comercial, Carothers diria numa confer\u00eancia cient\u00edfica que &#8220;pela primeira vez que existe a possibilidade de obter fibras \u00fateis e partir de materiais sint\u00e9ticos&#8221;.<\/p>\n<p>Nos quatro anos seguintes, o\u00a0laborat\u00f3rio\u00a0de Carothers ensaiou milhares de combina\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e no meio do caminho para a produ\u00e7\u00e3o do nylon ainda conseguiu criar o\u00a0neopreno\u00a0\u2013 uma das mais \u00fateis borrachas sint\u00e9ticas. Mas foi s\u00f3 em 1934 que a rea\u00e7\u00e3o de duas subst\u00e2ncias de nomes complicados \u2013 hexametilenodamina e \u00e1cido ad\u00edpico \u2013 produziu o nylon. At\u00e9 ent\u00e3o, a Du Pont havia investido a quantia de 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares (uma bolada respeit\u00e1vel para a \u00e9poca) nas pesquisas. Tr\u00eas anos e mais alguns milh\u00f5es de d\u00f3lares depois, a fibra estava pronta para entrar no mercado. Resiste ao calor, secava rapidamente, n\u00e3o amarrotava ou mofava e podia ser submetida a constantes lavagens sem se alterar. \u00c9 o substituto ideal &#8211; e popular &#8211; para o requinte da seda.<\/p>\n<p>A troca da universidade pela ind\u00fastria resultou num bom neg\u00f3cio para Carothers. Mas ele n\u00e3o p\u00f4de aproveit\u00e1-lo. V\u00edtima de depress\u00e3o nervosa, suicidou-se em 1987, dois dias depois de completar 41 anos de idade. Sua descoberta, por\u00e9m, prosperou mais do que ele imaginou. A Du Pont se encarregou de torn\u00e1-la popular at\u00e9 no nome. Foi institu\u00eddo um concurso e, a partir das sugest\u00f5es do p\u00fablico, inventou se a palavra nylon, considerada simples, f\u00e1cil de lembrar e de som agrad\u00e1vel. Em 1939, nylon estourou &#8211; nas pernas das mulheres.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou em Wilmington, sede da Du Pont no Estado de Delaware. Cautelosamente, apenas para testar o mercado, a f\u00e1brica passou a vender as primeiras meias exclusivamente nas lojas locais. Depois de certo tempo, Wilmington parecia um centro tur\u00edstico. A cidade se encheu de visitantes, os hot\u00e9is lotaram \u2013 todo mundo queria comprar as novas meias. N\u00e3o foi preciso mais cautela: sete meses depois, as meias de nylon eram mercadoria comum em todos os erros magazines dos Estados Unidos. O apetite das mulheres americanas pela novidade p\u00f4de ser satisfeito at\u00e9 1941, quando o ataque japon\u00eas a Pearl Harbor empurrou os Estados Unidos para a segunda guerra mundial. O nylon foi usado ent\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de p\u00e1ra-quedas, suturas cir\u00fargicas e mortalhas.<\/p>\n<p>Mas o intervalo da guerra n\u00e3o diminuiu o entusiasmo das consumidoras. Quando em 1946 uma loja da Filad\u00e9lfia voltou a vender as meias, foi preciso ao filho de cinq\u00fcenta robustos guardas para conter os arroubos das freguesas. Na Europa do fim da guerra, as meias desembarcaram junto com os chicletes e chocolates dos soldados americanos. Imediatamente tornaram-se mercadoria valorizada no mercado negro para depois fazer parte obrigat\u00f3ria da\u00a0moda\u00a0&#8211; especialmente na d\u00e9cada de 60, quando a minissaia de Mary Quant valorizou ainda mais as pernas bem torneadas.<\/p>\n<p>O p\u00f3s-guerra foi o in\u00edcio da era do nylon. A Du Pont n\u00e3o deu mais conta do mercado. \u00c0 medida que mais aplica\u00e7\u00f5es das fibras sint\u00e9ticas se tornaram conhecidas, as f\u00e1bricas foram se espalhando pelo mundo. Misturou- se o fio a outras fibras at\u00e9 se conseguirem novos tecidos. O jersey de nylon tornou-se obrigat\u00f3rio nas lingeries. A fibra de vidro passou a ser usada em bucl\u00eas e tecidos transparentes e a fibra acr\u00edlica substituiu a l\u00e3 . Na d\u00e9cada de 50, a ind\u00fastria inglesaImperial Chemicals\u00a0produziu o\u00a0poli\u00e9ster, chamado de terilene e tamb\u00e9m\u00a0tergal\u00a0&#8211; nome que lhe deu a ind\u00fastria francesa Rhodia, que o popularizou como tecido que n\u00e3o amassa. O\u00a0poli\u00e9ster\u00a0tornou-se uma das fibras sint\u00e9ticas mais utilizadas em vestu\u00e1rio. A mais n\u00e3o reinou sozinho durante muito tempo. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, a Du Pont criou o elastano, batizado de\u00a0lycra, para substituir a o lastex, feito de borracha, nos trajes de banho, cintas femininas e el\u00e1sticos. A\u00a0lycra\u00a0tamb\u00e9m se misturou aos outros tecidos, para que as pe\u00e7as de roupa se moldassem melhor ao corpo.<\/p>\n<p>Cinq\u00fcenta e um anos ap\u00f3s a sua entrada no mercado, o nylon continua popular. Atualmente, 4 bilh\u00f5es de quilos de fios s\u00e3o produzidos em todo o mundo. Esta produ\u00e7\u00e3o dificilmente ser\u00e1 amea\u00e7ada. Afinal, apenas 2 por cento de petr\u00f3leo extra\u00eddo no mundo veste toda a popula\u00e7\u00e3o da Terra. E nesse caso est\u00e1 valendo o velho ditado que diz que o c\u00e9u \u00e9 o limite &#8211; literalmente. No final da d\u00e9cada de 60, as fibras sint\u00e9ticas invadiram o espa\u00e7o. A Du Pont criou onomex, tecido mais resistente ao calor e, por isso mesmo, utilizado nos uniformes da For\u00e7a A\u00e9rea de todo o mundo, inclusive do Brasil. Por \u00faltimo, surgiu o\u00a0kevlar\u00a0tornou-se o tecido dos astronautas.<\/p>\n<p>Fonte: revista superinteressante<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um xarope e espesso, formado por longos fios lustrosos e el\u00e1sticos, como os da seda e celulose, que se solidifica com algo esfriar. 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